Estava lendo este post do Orlando, no blog Netnografando, e fiquei pensando nesta questão que ele coloca. Folksonomia é subjetividade?

Curiosamente, a questão me atinge enquanto estou em busca de uma metodologia de organização para as minhas leituras e estudos. A arquitetura de informação, meu principal campo de atuação profissional, me instrumentalizou com alguns conceitos e (por que não?) cacoetes referentes à organização das coisas. Para um exemplo disso, basta olhar no meu flickr como é o papel de parede do meu computador.

No meu novo computador, criei uma estrutura de pastas para organizar as leituras.

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Enquanto organizava estas leituras, várias falhas no meu método apareceram. Vários textos a serem armazenados comporiam, tranquilamente, o conteúdo de duas, três pastas criadas. Eu precisaria de um sistema de palavras-chave, ou de organização pela metainformação para dar conta desta característica dos textos. Então, resolvi instalar uma wiki no meu computador, onde poderei armazanar o conteúdo estudado de forma mais rizomática, anti-hierárquica. Folksonômica?

A folksonomia (e também a minha taxonomia pessoal, enquanto crio e organizo pastas pessoais) é uma manifestação da minha subjetividade, enquanto se produz (e se manifesta) em espaços individuais, coletivos e institucionalizados. Eu “tagueio” o conteúdo para mim e para os outros; tagueio para não me perder dele, e tagueio para que os outros possam encontrá-lo e saber que já passei por ali. Os links guardados no meu delicious mapeiam os meus interesses pessoais, os meus modos de pensar, as minhas afinidades temáticas. Se eu organizar meus links cronologicamente, inclusive, percebo como meus interesses metamorfoseiam-se ao decorrer dos dias, meses, anos (sou uma usuária antiga do delicious). É possível me cartografar pela maneira como organizo a informação que acesso, que guardo, que compartilho.

#lingerieday

Julho 24, 2009

Uma das razões pelas quais foucault, a quem eu sei que o túlio conhece bem, me é caro – além de ter me ensinado a não tomar interpretações por fatos, e de ter me mostrado que relações de poder têm um jogo, que não são unilaterais, que o processo de sujeição, por ser processo, tem um caráter temporal que guarda sua vulnerabilidade – é por ter mostrado que o corpo não é uma unidade monolítica posta desde sempre; que ele tem uma historicidade, como tem a própria separação entre corpo (ou forma) e alma (ou mente ou consciência ou conteúdo, como queiram). Algumas feministas já mostraram como essa separação e subsequente hierarquização – a alma é diferente, e é melhor que o corpo – tem vínculo com os gêneros, ali onde a mulher se situa no campo vil e inferior da matéria, e o campo mais nobre, elevado e digno de respeito da linguagem, da razão, é masculino. Mas eu também sou meu corpo, Túlio, não menos que esse conjunto de sinapses que agora se materializa – oh, a matéria; mas, ufa, essa pode – na produção desse post. E eu, corpo e alma, rosto e bunda, forma e conteúdo, problematizo essa separação e essa valorização de um em detrimento do outro, e reivindico minhas capacidades cognitivas e deliberativas independentemente da instância minha – inexoravelmente minha – que eu boto na porcaria do meu avatar do twitter. seja ela da minha bunda, do meu dedão do pé, do lacinho da minha calcinha ou de um bule de chá.

relações de poder não são simples: entendê-las como uma imposição simples e unilateral que emana de um foco único fixo e coerente e recai sob um oprimido passivo nem começa a dar conta do recado. e esse modo de funcionamento é a sua fragilidade; sempre pode ser ressignificado. uma pessoa fisicamente constrangida – pra continuar no foucault – não participa em uma relação de poder. mas aí a figura percebe sua própria feminilidade como parte de uma rede de relações de poder e passa a ler o mundo identificando as relações de poder que se estabelecem sem problematizá-las. que se dão entre “homens” e “mulheres”, opressores e oprimidas. Pra ver uma mulher de corpo exposto sempre como um “pedaço de carne”, para reduzi-las a seus corpos sempre ali onde eles se manifestam, é preciso acreditar que mulher só pode se expressar através da palavra, através de discursos articulados, porque seus corpos estão condenados a conformar-se com uma lógica que lhes oprime; é preciso acreditar que quem gosta de minissaia e decote e corpo exposto de mulher é homem, e uma mulher de decote é apenas o símbolo da supremacia do desejo masculino (ali onde todo o desejo é sempre masculino).

Trecho do excelente post da Lu Bom sobre o #lingerieday no Twitter.

Michael

Junho 29, 2009

Ainda hoje, quatro dias depois da morte do Michael, se eu ligo a tv sei que em algum canal alguém estará falando nele. Ainda chovem crônicas, comentários, twittadas, charges, piadas, homenagens, lembranças. Dentre as coisas que li até agora, separo as que considerei mais interessantes:

O texto do Rogério Christofoletti me deixou com um nó na garganta.

O texto de Francisco Bosco citado no Mundo Livro é muito interessante.

Esta matéria CNN me fez pensar um bocado.

E a charge do Mau Mau deu o que falar.