o melhor trending topic dos últimos tempos da última semana
Julho 13, 2009
Hoje eu li este texto do Paul Virilio que me fez ficar pensando por horas. Li assim que percebi que a Gabi tinha compartilhado no Google Reader, e passei a manhã trabalhando com a ideia do Virilio rodando “em segundo plano”. Fui almoçar e voltei; agora as ideias já parecem mais disformes, e resolvi registrá-las aqui antes que elas percam a forma completamente.
Quantas vezes somos acometidos por essa perda de empolgação em um tema, à medida em que o tempo passa? Logo, o pensamento – que parecia tão importante – se dissolve e é substituído por outro, que é mais “novidade” do que o que vínhamos pensando antes. Acontece muito comigo: estou pensando em um assunto enquanto tomo banho, quando vou dormir (between the click of the light and the start of a dream), enquanto preparo meu café da manhã ou caminho de volta pra casa, no fim de um dia do trabalho. Antes mesmo que eu possa registrar minha interpretação daquele tópico, num arquivo de texto ou numa página do meu caderno de notas, já há algo que pensei depois daquilo; já há uma atualização do pensamento primeiro, ou até mesmo um conceito inteiro completamente novo.
Pois é quase disso que Virilio fala em seu texto. Ao dizer que “o imediatismo é o contrário da informação”, ele fala comigo e minha tendência ao deslumbramento, a sempre olhar para o (novo) ponto cada vez mais brilhante que surge no horizonte. Ele cita o caso do uso do twitter pelos manifestantes contra a fraude na eleição do Irã. Por algum tempo, o tema ocupou as Trending Topics no Twitter. O inesperado – neste caso, a morte do Michael Jackson – desviou boa parte das atenções dos usuários da plataforma, que, enquanto eu escrevo este texto, ocupa-se também com os lançamentos dos novos filmes Harry Potter and The Half-Blood Prince e Brüno. “Lamentamos universal e instantaneamente a morte de deus show-biz, e o Irã foi forçado a sair do futuro imediato.”
Mas o que isso diz sobre nós hoje, e como podemos mudar essa condição a ponto de que o imediatismo não engula a democracia possivel na internet? Como não sermos hipnotizados pela “propaganda do progresso”, que nos seduz à ilusão de que estamos participando ativamente – até que um novo acontecimento nos desvia? Virilio fala que precisamos de uma “economia política da velocidade.” Precisamos aceitar a existência do aceleramento e da desconstrução do tempo, mas não podemos aceitar que o imediatismo engula a densidade e a riqueza de informações que a Internet nos oferece. Aquela nossa inteligência já não nos serve. “Precisamos de uma inteligência coletiva hoje”.
Leave a Reply