Michael
Junho 29, 2009
Ainda hoje, quatro dias depois da morte do Michael, se eu ligo a tv sei que em algum canal alguém estará falando nele. Ainda chovem crônicas, comentários, twittadas, charges, piadas, homenagens, lembranças. Dentre as coisas que li até agora, separo as que considerei mais interessantes:
O texto do Rogério Christofoletti me deixou com um nó na garganta.
O texto de Francisco Bosco citado no Mundo Livro é muito interessante.
Esta matéria CNN me fez pensar um bocado.
Entrevista com a Raquel Recuero no Monitorando
Junho 24, 2009
Muito legal esta entrevista com a Raquel Recuero no blog Monitorando. A resposta dela que mais me chamou a atenção foi esta:
Você atua num programa de mestrado na área de Letras, um campo essencialmente ligado à Educação. Como as redes sociais podem contribuir para os avanços educacionais, em especial na realidade brasileira?
O espaços sociais que temos na rede auxiliam em um processo de comunicação mais amplo, tanto nos aspectos informativos (acesso à notícias, informações, serviços e etc.) quanto naqueles conversacionais (debates, discussões, etc.). Assim, também são espaço potenciais para a educação e o espírito crítico. Do meu ponto de vista, ainda fazemos um uso muito modesto das tecnologias na educação. Claro, é necessário um cuidado na exposição e na construção desses processos, mas poderíamos usar mais os sistemas que já existem em sala de aula. Se tu olhares para o Orkut, por exemplo, vais ver que ali há exemplos da cultura de toda a sociedade brasileira. Há pessoas em lugares menos favorecidos que estão lá, com seus perfis, suas comunidades, suas percepções culturais. Há uma quantidade expressiva de jovens e adolescentes que usam o sistema. As pessoas vão construindo uma cultura ali, vão incorporando aqueles signos no seu dia a dia. No entanto, insistimos em ignorar essas práticas, focando sistemas “idealizados” para a educação e a chamada inclusão digital, que muitas vezes não refletem a experiência, os interesses e apropriações das pessoas. Penso que é preciso pensar a educação como espírito crítico e apropriação *a partir* dessas práticas.
Eu não podia concordar mais.
Acho que uma das grandes falhas no modelo atualmente utilizado para o uso das TICs na Educação é a insistência por “descolar” esta pática do uso corriqueiro que as pessoas já fazem das tecnologias.
O livro “Redes Sociais na Internet”, de autoria da Raquel, pode ser encontrado nas livrarias e num site especialmente criado para o seu download.
Dentro deste sistema, todos nós temos nossas vidas regradas por nossos horários de trabalho e/ou horários de aulas, assim como pelos horários de funcionamento do transporte público e do comércio, etc. Essa organização das nossas vidas, que começa na infância, exerce um controle sutil mas profundo sobre todos nós: nós chegamos a esquecer que o tempo de nossas vidas é nosso para gastar como escolhermos, ao invés de pensar em termos de dias de trabalho, horas de almoço, e finais-de-semana. Uma vida verdadeiramente expontânea é impensável para a maioria de nós; e o chamado tempo “livre” é normalmente apenas tempo que foi reservado para fazer outra coisa que não trabalhar. Com que freqüência você vê o sol nascer? Quantas vezes você passeia em belas tardes ensolaradas? Se você tivesse a oportunidade inesperada de fazer uma viagem bacana neste fim-de-semana, você poderia ir?
No seu blog O Cético, Marcelo Kalil publicou esta tradução de um trecho do livro Days of War, Nights of Love
Entre os Muros da Escola
Junho 22, 2009
Quando eu tinha cerca de 13 anos de idade, assisti ao filme “Sociedade dos Poetas Mortos”. Passam-se os anos e volto a retornar a este filme, pois foi nele que vi, pela primeira vez, a figura do professor com quem eu queria aprender (e, em última análise, o professor que eu queria ser).
No filme, Robin Williams interpreta um professor de língua inglesa que, ao ser contratado para lecionar na escola (particular, tradicional e autoritária) onde um dia foi estudante, acaba por influenciar seus alunos – todos miniaturas de seus pais, com seu futuro calculado rumo a uma carreira de sucesso – a buscarem um verdadeiro sentido em suas vidas. A figura daquele professor subversivo, capaz de fazer seus alunos se apaixonarem verdadeiramente pela literatura a ponto de incorporarem-na completamente, fazia-me pensar “é isso o que eu quero fazer!”
Durante minha passagem pela faculdade, os professores que mais me motivaram assemelhavam-se à figura daquele professor de língua inglesa. Eram professores cujo amor pelo que lecionavam era tão grande que tornava-se contagioso. Não havia como não contaminar-se pelo discurso deles. O professor de história da arte, que dava aula com slides e com memória, e que emocionava-se semestre após semestre ao mostrar-nos as obras que realmente o impressionavam. O professor de pintura, que tinha tanto a compartilhar conosco que não parava de falar mesmo enquanto pintávamos, deixando-nos sempre em dúvida: devíamos ouví-lo ou devíamos pintar?
Pois se eu tivesse 13 anos hoje, e ao invés de assistir Sociedade dos Poetas Mortos eu assistisse Entre os Muros da Escola, talvez eu passasse a pensar diferente. Talvez, ao invés de ver o professor como uma força unificadora, capaz de despertar nos alunos aquela vontade transformadora que eu via nos personagens de Sociedade dos Poetas Mortos, eu passasse a ver o professor como a imagem da impotência e da resignação.
O que mais me doeu, ao assistir Entre os Muros da Escola, foi reconhecer as situações como perfeitamente plausíveis. Foi ver cada cena como se eu estivesse lá, na sala de aula, ora no papel do professor, ora no papel do aluno. Foi ver que ninguém na história é herói ou bandido: os alunos resignam-se à sua situação e exteriorizam suas frustrações violentamente. O professor decepciona-se com os estudantes, por quem se interessa genuinamente, e resigna-se ele também, desistindo de “fazer a diferença” e rejeitando-os com ironia e escárnio.
Entre os muros da escola o realismo não assume tom documental, mas faz mediação ao não parecer uma construção. Entre os Muros da Escola não há jovens uniformizados, fugindo à noite de seus alojamentos para encontrarem-se num esconderijo e ler poesia. Entre os muros da Escola não há a figura do professor apaixonado, falando com a voz embargada a respeito daquilo que realmente o comove, tornando sua voz hipnótica àqueles alunos que passam a espelhar-se nele. Entre os muros da escola, ninguém chamará o professor por “o captain, my captain”. Entre os Muros da Escola, não há rebeldia de meninos brancos contra a opressão do sistema educacional. Em 2009, seja na França, no Brasil ou onde for, não há mais libertação pela desobediência. O que se apresenta, no espaço mostrado entre os muros da escola, é a incapacidade da escola de tornar-se um espaço significativo para aqueles que, em teoria, ela se propõe a acolher.
Oi, mundo :)
Junho 22, 2009
Inauguro oficialmente (ou talvez nem tanto) meu blog de pesquisa. Acho um tanto inadimissível manter apenas meu tradicional caderninho de notas enquanto tento escrever sobre redes sociais na educação.
Portanto, considerem este post a inauguração oficial do espaço, com corte de fita e tudo. E que seja bem vindo quem aqui chegar.